Você pode salvar uma vida
30 Jul 2009

Você sabe o que é medula óssea? Tem idéia do que é preciso para se tornar um doador? Depois de tantos mitos, resolvi virar doadora para solucionar esse mistério. E percebi que muitas pessoas confundem medula óssea com medula espinhal - que são coisas distintas. Ninguém fica paraplégico doando medula óssea, como muitas pessoas pensam. Medula óssea é apenas sangue que pode ser retirado por uma veia ou através do osso da pelvis. Pacientes que tem algum tipo de doença sanguínea, como leucemia e precisam de transplante, se submetem a esse procedimento sem anestesia todos os meses, às vezes chega a ser até uma vez por semana.
Sediada em Nova York, a Fundação Icla da Silva faz um trabalho sensacional ajudando pessoas que sofrem de leucemia no mundo inteiro. A organização foi criada em 1992, após a morte da brasileira Icla da Silva, que faleceu aos treze anos de idade lutando bravamente contra à doença. Durante as tentativas para encontrar um doador, Icla mencionou o desejo em criar uma fundação. E nos últimos 17 anos The Icla da Silva Foundation, como é denominada em inglês, tem crescido recrutando e criando o mais diversificado registro étnico, promovendo esperança para os pacientes e familiares. É uma organização sem fins lucrativos, e atualmente tem o maior grupo de registro de doadores de medula óssea dos Estados Unidos. “Todos os anos cerca de 13 mil novos registros são realizados. Devido ao nosso trabalho e dedicação, já conseguimos 79 mil doadores que até agora salvaram a vida de 80 pacientes”, explica Airam da Silva, irmão de Icla e vice-presidente da Fundação.De acordo com Airam, quando é encontrado alguém compatível eles entram em contato com o doador para retirar algumas células de sangue da medula óssea. E isso ocorre de forma semelhante a doação de sangue e no mesmo dia a pessoa vai para casa. A outra maneira de se fazer o transplante é através de uma simples cirurgia, o que também ocorre de forma segura através do osso da pelvis , que é um osso esponjoso e não se danifica com a doação. E o doador também vai para a casa no mesmo dia. Esse tipo de doação pode doer um pouco, mas passa com um simples analgésico. A pessoa que se submeter, só precisa doar uma única vez e pode estar salvando uma vida. O procedimento é bem simples. É necesário ter idade entre 18 e 60 anos, estar saudável, preencher um formulário e coletar algumas células do próprio DNA. A coleta é feita com apenas quatro cotonetes que serão passados na parte interna da bochecha e armazenados em um banco de dados. O doador permanece no registro até completar 61 anos e se algum dia esta pessoa for compatível com algum paciente, ai sim efetivamente a doação irá ocorrer.
A brasileira Rosa Carolina decidiu ser doadora há nove anos. Além de fazer parte do banco de dados, ela também é voluntária nas campanhas que acontecem em várias cidades americanas. “Eu me registrei como possível doadora de medula óssea porque achei incrível a possibilidade de salvar uma vida doando tão pouco de mim. Sair compatível é mais difícil do que ganhar na loteria, mas tenho certeza que quando encontrar alguém que eu possa ajudar, a recompensa será muito mais alta”, desabafa Carolina.
Por estar bastante envolvida com a causa, Carolina conta que sofre quando alguém não consegue o transplante. “Já me apeguei a vários pacientes que vi falecer, e talvez por isso não consiga entender como alguém pode não querer se registrar.
Umas das que mais me afetaram foi a Nancy. Ela tinha 22 anos, estava na universidade, tinha um filhinho lindo, um marido dedicado e pais que eram apaixonados por ela. Eu nunca vou esqucer aquela menina tão sorridente. É muito dificil aceitar que ela faleceu por não encontrar um doador. Leucemia não escolhe raça, não escolhe cor, religião, classe social. Pode acontecer na nossa familia, e é nesse momento que acordamos e começamos a implorar para que outros façam pela gente o que poderíamos ter feito por eles”, afirma a brasileira. Ela diz que infelizmente quando Icla encontrou uma pessoa compatível já era tarde demais. “O doador era pai de uma paciente que já morava nos EUA antes da Icla chegar. Só depois que a filha dele faleceu, três anos depois da chegada da Icla, que ele decidiu se registrar. Um mês depois do registro foi descoberto que ele era um doador 100% compatível com ela. Mas ela faleceu antes do transplante ocorrer. Quando me lembro disso vejo que só basta uma pessoa se registrar. E esse alguém pode estar bem perto de você. Por isso aconselho que as pessoas se informem e se registrem o mais rápido possível. Não há mistério. Acho que todo mundo deveria ser doador”, conclui.

